Tendências do mercado de tecnologia para 2021

“A Série 9000 é o melhor computador já feito. Nunca nenhum computador 9000 cometeu um erro ou distorceu informação. Somos todos – por definição prática das palavras – A prova de tudo e incapazes de errar.“

HAL 9000

A frase é uma afirmação feita pela hipnotizante personagem HAL 9000, um sistema de inteligência artificial da obra “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), dirigida por Stanley Kubrick.

Acredito que muitas empresas encaravam o mercado como um provedor de oportunidades infinitas e livre de erros. Mas, o elemento surpresa transformou 2020 em algo singular. Vimos mudanças ocorrendo com extrema velocidade, principalmente na indústria mundial de tecnologia.

A incerteza produzida pela pandemia fez com que empresas buscassem a nuvem para obter elasticidade de infraestrutura e mobilidade nas operações. Afinal, prever o futuro da economia e o comportamento das pessoas se tornou uma tarefa complicada.

Com isso, os serviços de cloud entraram em cena como atores principais e não mais como coadjuvantes. A nuvem passou a ser o único caminho para correr atrás das metas de crescimento e, em muitos casos, a única saída para sobreviver no mercado.

Só A Nuvem Salva 

Com o aumento do home office e do homeschooling, a procura de soluções colaborativas cresceu. O Google, por exemplo, alcançou a marca de 3 milhões de novos usuários (por dia) do pacote Google Workspace, o antigo G Suite.

Houve também o aumento na demanda dos serviços terceirizados de DevOps e Managed Cloud. Nesses casos, podemos destacar duas razões principais:

  1. Diminuir a carga de trabalho das equipes internas de TI, permitindo que os departamentos de tecnologia direcionassem seus esforços para a produtividade;
  2. Aplicar automação nas cadeias de produção, trocando processos manuais para sistemas 100% automatizados. 

Ficou claro que esses serviços economizam milhões de dólares por ano em custos de operação e infraestrutura.

Resumindo a história, nada e ninguém é invencível e a “verdadeira” transformação digital que esperávamos acontecer aos poucos, chegou sem pedir licença.

Agora que muitas empresas já estão abrigadas e protegidas na nuvem, é hora de olhar para o futuro e conhecer as tendências que irão contribuir para o crescimento da indústria, aprimoramento dos serviços e o aumento dos lucros. 

O mercado em 2021

Depois de um ano turbulento, o Gartner divulgou algumas tendências para 2021. Entre elas estão o aproveitamento eficiente dos dados coletados em diferentes plataformas, automação e maneiras ágeis de operar na nuvem.

Segundo Brian Burke, VP de Pesquisa do Gartner, as principais tendências de tecnologia para o ano que vem tem como início três premissas: 

Centralização nas Pessoas: com todas a mudanças em nosso local de trabalho, vida pessoal e hábitos de consumo, precisamos nos manter cada vez mais conectados em tudo que fazemos;

Independência na Localização: As paredes dos escritórios foram derrubadas. Quanto maior liberdade física para trabalhar e consumir, melhor. Ativos e servidores precisam estar disponíveis para serem acessados de qualquer lugar;

Resiliência na Entrega: Após o furacão chamado Covid-19 percebemos que o mundo pode mudar em um piscar de olhos. É preciso manter o rumo certo mesmo quando os ventos mudam de direção.

Com base nestes temas principais, o Gartner aponta as nove principais tendências:

Internet de comportamento (IoB)

O uso dos dados que deixamos por aí, a partir do uso de aplicativos, redes sociais, sistemas de reconhecimento facial, etc., são coletados, analisados e utilizados por marcas e governos, criando mecanismos para influenciar nossos comportamentos. 

É um assunto polêmico e será necessário discutir qual o limite ético do uso desses dados. Não podemos negar que se trata de uma grande oportunidade de aproveitar toda essa informação para melhorar a vida de cidadãos e consumidores.

Experiência total

O conceito Multi Experience (MX), Customer Experience (CX), Experiência do Funcionário (EX) e Experiência do Usuário (UX), se unem. A experiência total se torna um fator de escolha decisivo para os consumidores. Isso permitirá que as marcas se destaquem dos concorrentes a partir de novas maneiras de interação com o seu target.

Computação que melhora a privacidade

Existem maneiras eficazes de processar e aproveitar os dados de usuários, a partir da tecnologia, sem ultrapassar os limites da privacidade.

São elas:

  • Maior segurança e privacidade em ambientes de marcas, empresas terceiras e passando a utilizar hardwares de confiança;
  • Trabalhar com dados de maneira descentralizada, usando ferramentas de ML com foco na privacidade;
  • Converter dados em algoritmos para que as informações sejam utilizadas com confidencialidade total.

Nuvem distribuída

Permanece o uso da nuvem pública para realização de todo o desenvolvimento, operação e armazenamento de dados. Porém, manter operações em ambientes locais de cloud computing pode reduzir os problemas de latência e facilitar a aplicação de leis de privacidade, de acordo com cada região.

Operações realizadas de qualquer lugar

“Digital e Remoto primeiro.”

Para permitir que todos os stakeholders executem suas atividades de qualquer lugar é necessário adaptar infraestrutura, política de segurança, governança, gestão e boas práticas de uso (funcionários e clientes).

Camadas de cibersegurança

Com o aumento do acesso remoto por parte dos colaboradores e clientes, o olhar está na cibersegurança. É preciso manter a alta disponibilidade das informações com o cuidado necessário. 

O objetivo é oferecer mais camadas de proteção sem comprometer o desenvolvimento dos negócios. 

Negócio modulável inteligente

Uma estagnação repentina na produtividade, como aconteceu durante a pandemia, mostrou que os processos são frágeis e complicados de se reorganizar a tempo da retomada das atividades.

Será preciso operar sob soluções altamente adaptáveis. Empresas de tecnologia devem desenvolver soluções mais customizáveis ao invés de soluções pré moldadas.

Outro ponto importante é que profissionais CIOs exercerão um papel fundamental nas organizações (mais ainda!), mostrando que a elasticidade de infraestrutura tem papel fundamental para reparar os danos nos negócios causados por mudanças bruscas no mercado.

Engenharia de IA

Os projetos de IA deverão sair definitivamente do papel para entrar em produção de larga escala. Sem a engenharia de IA muitas empresas não conseguirão sair dos protótipos e modelos de testes intermináveis.

A engenharia de IA é apoiada em três pilares: DataOps, ModelOps e DevOps.

Basta pensar que um projeto de inteligência artificial está sendo alimentado o tempo todo com novos dados, modelos e códigos.

Projetos de inteligência artificial bem formatados trazem economia por antecipar cenários, além de desempenhar um papel de responsabilidade organizacional e social.

Hiperautomação

“Uma colcha de retalhos de tecnologia.”

Brian Burke – Gartner

Essa definição descrita no relatório do Gartner é realista e resume o que muitas organizações apresentam. O Managed Cloud Services, por exemplo, é um serviço disponível da Webera que possibilita a automação total nas empresas.

Quando uma organização não aproveita os benefícios da automação, ela se torna “cara”. Segundo Brian Burke, a era da Hiperautomação chegou e não existe a possibilidade de fugirmos dela. 

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